Mostrando postagens com marcador efeitos colaterais. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador efeitos colaterais. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 20 de junho de 2017

Compostos naturais para tratamento de câncer

O câncer é responsável por aproximadamente oito milhões de mortes por ano em todo mundo. No Brasil, o INCA estimou a ocorrência de quase 600 mil mortes no ano de 2016. Provavelmente você conhece alguém que faz ou fez tratamento para essa doença e imagina o quanto é difícil passar por uma quimioterapia ou radioterapia. Apesar de estarem cada vez mais precisos, esses tratamentos ainda atingem não só as células cancerígenas, mas também células saudáveis causando efeitos indesejados. Visto isso, a melhor coisa a se fazer hoje em dia é a prevenção (nos casos que são passíveis de prevenção, claro). Segundo a Organização Mundial de Saúde, 1/3 das mortes provocadas por câncer são possíveis de prevenir com aumento de consumo de compostos naturais que participam de rotas de sinalização celular impedindo a proliferação de células cancerígenas e induzindo apoptose.
Seguindo essa linha de raciocínio, se é possível prevenir câncer com uma dieta saudável, então talvez também seja possível tratá-lo. É o que pesquisadores da Universidade do Texas estão tentando. Uma das suas pesquisas (artigo disponível para download AQUI) primeiramente fez um screening de diversos compostos naturais e seus efeitos em células cancerígenas (nesse caso, especificamente células de câncer de próstata). Com esse screening, os pesquisadores conseguiram identificar três compostos mais promissores: o ácido ursólico, a curcumina e o resveratrol. O ácido ursólico é um componente presente na casca da maçã e tem função anti-inflamatória e antimicrobiana que provavelmente fazem parte da defesa da planta. A curcumina é o composto que dá a cor amarela ao açafrão da terra. É um antioxidante poderoso. Já o resveratrol é uma substância encontrada nas sementes e casca de uvas pretas (assim como no vinho tinto \0/). Também é um antioxidante e estudos indicam que tem a capacidade de influenciar rotas de proliferação celular. Todos esses ingredientes são facilmente encontrados e por preços acessíveis, o que é bem importante.


Continuando com o artigo, os pesquisadores testaram essas substâncias em ratos com câncer de próstata (os ratos tiveram células cancerígenas transplantadas para o corpo). As substâncias faziam parte da dieta e não foram aplicadas como medicamentos. Foram criados grupos controles (alimentados com dieta padrão), grupos que receberam somente com uma das substâncias na dieta e grupos que recebiam diferentes combinações destas. Após 32 dias, os ratos eram sacrificados e os tumores analisados quanto ao seu peso e tamanho. Os resultados indicam que os ratos que receberam somente uma das substâncias tiveram tumores levemente menores e mais leves em relação ao grupo controle (embora essa diferença não tenha sido estatisticamente significante). Já os ratos que receberam combinações das substâncias testadas tiveram uma redução acentuada nos tumores em comparação com o grupo controle, sendo essa diferença mais marcante para os animais que receberam a combinação de ácido ursólico (maçã) e curcumina (açafrão da terra). Além disso, também foi utilizada, para fins de comparação, uma droga antineoplásica (docetaxel) em um dos grupos. Essa droga não teve efeito significativo nos tumores nas concentrações utilizadas.
Diante dos bons resultados, os pesquisadores decidiram analisar a nível celular qual o efeito dessas substâncias. Eles estudaram o efeito dos três compostos no metabolismo e em algumas proteínas chaves em rotas de sinalização celular de células cancerígenas. Novamente, a combinação de ácido ursólico e curcumina ou ácido ursólico e resveratrol produziram maiores efeitos no metabolismo e na sinalização celular causando a morte e consequente diminuição de células cancerígenas.
A conclusão desse artigo não poderia ser mais animadora. A combinação de substâncias que podem ser facilmente adicionadas na dieta não somente previnem, mas também causam um enorme efeito benéfico no tratamento de câncer (obviamente os resultados tem de ser testados em humanos). Tratar um tumor maligno sem uso de substâncias tóxicas e sem efeitos colaterais é um grande avanço. Além disso, utilizar essas substâncias em concentrações encontradas nos alimentos (sem necessidade de suplementação) é uma notícia não só animadora, mas deliciosa. Prestar atenção ao que se está comendo é muito importante em diversos aspectos e esse é só mais um deles.

terça-feira, 6 de junho de 2017

CRISPR/Cas 9 e seus efeitos colaterais

     Eu já falei aqui no blog sobre o grande método do momento: Crispr/Cas9 (Clique aqui se você ainda não leu). É um método revolucionário, mais fácil, mais rápido, mais preciso e mais barato que os outros métodos de edição de genes. Inúmeros artigos relatando as maravilhas dessa nova tecnologia estão sendo escritos (dê uma olhada aqui) e já está em curso um teste clínico em humanos para tratamento de câncer de pulmão. Eu acredito que esse método ainda será uma ferramenta muito importante no futuro, mas ainda há diversos aspectos a serem estudados.

     Todo tratamento tem seu efeito colateral e não poderia ser diferente com a terapia gênica. Uma equipe formada por profissionais de diversas universidades dos Estados Unidos fez o sequenciamento do genoma total de um animal que teve genes editados com CRISPR/Cas9. O que eles descobriram foi que, apesar de ser bastante precisa, essa técnica estava causando mutações que estavam passando despercebidas.

     Segundo os autores, a técnica causou inserções, deleções e SNPs identificadas somente no animal tratado com CRISPR (não identificadas nos animais controles). A maioria das mutações ocorreu em regiões não codificantes, mas algumas afetaram genes. Indels e SNPs causaram mutações não sinônimas em sequências codificadoras de proteínas, incluindo a inserção de stop códon- o que inviabiliza a proteína. Apesar de todas essas mutações, o rato tratado não demonstrou nenhum problema óbvio.

     A intenção da pesquisa e dos autores não é, de forma alguma, inviabilizar ou denegrir a CRISPR. O mesmo grupo, num artigo anterior, conseguiu modificar um gene e curar a cegueira de um rato com essa técnica. O que os autores esperam é que se tenha mais cautela e uma boa avaliação da precisão do método. Para eles, simplesmente utilizar algoritmos que predizem alvos não desejados não é suficiente já que nenhuma das mutações encontrada foi indicada pelo algoritmo usado. Ainda é necessário trabalhar a precisão da CRISPR e avaliar os resultados de perto.

Referências: