sexta-feira, 29 de setembro de 2017

Links para saber mais - Pandas

Eu já falei aqui no blog que uma das maiores causas de extinção de mamíferos é a fragmentação dos seus habitats, segundo um estudo publicado esse ano na PNAS (se você não leu o texto, clique aqui). Por conta disso, pesquisadores decidiram avaliar a evolução do habitat do panda, que recentemente teve seu status alterado pela IUCN (de ameaçado de extinção para vulnerável). O que os pesquisadores viram foi que, de 1976 até 2001, a área utilizada pelos pandas decresceu 5%, tendo aumentado um pouco entre 2001 e 2013. Já o tamanho médio dos fragmentos de florestas diminuiu 23% até 2001 e aumentou irrisoriamente desde então.

O motivo pelo qual tanto as áreas dos fragmentos, quanto o tamanho da área geral aumentou é em razão de algumas estratégias para conservação do habitat como, por exemplo, o estabelecimento de reservas naturais, o banimento de propagandas em áreas de florestas e educação ambiental dos residentes próximos às áreas. Apesar disso, segundo um dos autores do estudo, uma das maiores modificações da região foi o aumento de quase três vezes o número de estradas desde 1976. Estradas são um dos fatores mais impactantes na fragmentação de habitats (como você pode ver em outro texto que eu escrevi aqui no blog). Por conta desses resultados, os pesquisadores sugerem criar corredores ecológicos para a movimentação dos animais. É importante ressaltar que, por conta dos esforços de preservação do habitat do panda, outras espécies ameaçadas se beneficiaram, como por exemplo algumas espécies de primatas e outras espécies de ursos. Preservar os habitats, mesmo que focando numa espécie, ajuda o ecossistema de uma forma geral.

Referências:

Weihua Xu, Andrés Viña, Lingqiao Kong, Stuart L. Pimm, Jingjing Zhang, Wu Yang, Yi Xiao, Lu Zhang, Xiaodong Chen, Jianguo Liu, Zhiyun Ouyang. Reassessing the conservation status of the giant panda using remote sensing. Nature Ecology & Evolution, 2017; DOI: 10.1038/s41559-017-0317-1.

Panda habitat shrinking, becoming more fragmented: Modern GIS technologies could improve our assessment of the species' extinction risks. ScienceDaily.

Pandas, which are basically giant poop machines, may inadvertently help save other species. Popular Science.

quinta-feira, 28 de setembro de 2017

Links para saber mais - o perigo dos plásticos nos oceanos

Plásticos são um problema ambiental sério. Quando falamos nos plásticos que acabam nos oceanos o problema se agrava ainda mais. Todo mundo já deve ter visto alguma foto com uma tartaruga presa com plásticos de engradado de latinhas ou fotos com estômagos de aves marinhas, peixes e até baleias cheios de lixo plástico. Mas o problema vai mais além. Não são somente os grandes plásticos (sacolas, garrafas pet, etc) que causam prejuízos. Os microplásticos e nanoplásticos também geram estragos que a ciência começou a avaliar recentemente.

Fonte: Missouri Department of Conservation.
No início de setembro foi publicado um artigo na Scientific Reports que descobriu que nanoplásticos estão causando danos neurológicos em peixes (e talvez em outros animais marinhos). Por conta do tamanho, de 20nm a 70nm, esses nanoplásticos são ingeridos pelo zooplâncton que, por sua vez, são ingeridos por animais maiores. Uma vez na corrente sanguínea de peixes, especificamente a espécie Carassius carassius que foi estudada, eles conseguem ultrapassar a barreira hemato-encefálica e se acumulam no cérebro dos peixes. Isso descoberto, os pesquisadores focaram em desvendar quais os prejuízos causados pelo acúmulo desses plásticos no tecido cerebral. Para isso, eles conduziram experimentos comportamentais e viram que os peixes com acúmulo de plástico no cérebro comiam mais devagar e exploravam menos o habitat a redor. Esse comportamento pode comprometer a sobrevivência do animal na natureza.

Outro resultado foi a ocorrência de morte do zooplâncton que come esse material. A maneira a qual os nanoplásticos levam o zooplâncton á morte ainda é um mistério. De maneira geral, a conclusão do estudo é que os nanoplásticos podem causar uma série de prejuízos no ecossistema, pois afetam vários níveis da cadeia alimentar.
Mortalidade de zooplâncton após a exposição a nanoplásticos. O gráfico mostra o número de organismos vivos entre 0 e 24 horas após a exposição desses organismos a diferentes concentrações de nanopartículas de poliestireno. Fonte: artigo original.
Referências:
Karin Mattsson, Elyse V. Johnson, Anders Malmendal, Sara Linse, Lars-Anders Hansson, Tommy Cedervall. Brain damage and behavioural disorders in fish induced by plastic nanoparticles delivered through the food chain. Scientific Reports, 2017; 7 (1) DOI: 10.1038/s41598-017-10813-0.

Brain damage in fish from plastic nanoparticles in water. ScienceDaily.

Para saber mais sobre estragos causados por plásticos nos oceanos:

-Dia Mundial dos Oceanos: 7 motivos pelos quais o oceano está em perigo! Cientistas Feministas.

quarta-feira, 27 de setembro de 2017

Links para saber mais - Abuso infantil e o desenvolvimento do cérebro

Um grupo de pesquisadores do Canadá conseguiu associar problemas no desenvolvimento neurológico com abusos sofridos durante a infância. Abuso infantil é um problema de saúde pública que afeta de 5% a 15% das crianças ocidentais. Evidências clínicas e epidemiológicas mostram que problemas na infância aumentam o risco de vida, estresse relacionado a problemas psiquiátricos, depressão, suicídio, entre outros. Apesar disso, até agora não existiam estudos que avaliassem características celulares, epigenéticas ou morfológicas de cérebros de pessoas que sofreram abusos na infância.

O estudo, publicado no periódico The American Journal of Psychiatry em julho deste ano, analisou, entre outras coisas, a mielinização (revestimento de células nervosas que faz com que os sinais elétricos no cérebro sejam conduzidos de maneira mais eficiente) de três grupos de indivíduos. Importante ressaltar que a análise ocorreu no cérebro de indivíduos que já haviam morrido. Os três grupos eram (1) pessoas que cometeram suicídio e tinham sofrido abuso infantil, (2) pessoas que cometeram suicídio, mas não tinham relatos de abuso e (3) pessoas que morreram de outras causas que não suicídio e não tinham relato de abuso infantil.

O que os pesquisadores descobriram foi que a camada de mielina era significativamente reduzida somente nas pessoas com histórico de abuso infantil. Eles também viram alterações moleculares que afetavam células responsáveis pela geração e manutenção da mielina. Além disso, foi visto um aumento no diâmetro de alguns axônios. A conclusão é que essas alterações, juntas, possam ser responsáveis por uma falha de conexão entre estruturas como a amígdala e o núcleo accumbens (áreas do cérebro ligadas à regulação emocional e à recompensa e satisfação) e, dessa maneira, contribuir para uma alteração no processamento de emoções em pessoas que sofreram abusos durante a infância. Agora os pesquisadores pretendem descobrir onde, no cérebro, quando, durante o desenvolvimento, e como, a nível molecular, esses efeitos são suficientes para causar impacto na regulação das emoções.

Depois desse texto, achei importante deixar telefones para denúncia em caso de abuso infantil:
Disque Criança: 0800 2829996
Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República: 100
Disque-Denúncia: 2253 1177


Referências:
Pierre-Eric Lutz, Arnaud Tanti, Alicja Gasecka, Sarah Barnett-Burns, John J. Kim, Yi Zhou, Gang G. Chen, Marina Wakid, Meghan Shaw, Daniel Almeida, Marc-Aurele Chay, Jennie Yang, Vanessa Larivière, Marie-Noël M’Boutchou, Léon C. van Kempen, Volodymyr Yerko, Josée Prud’homme, Maria Antonietta Davoli, Kathryn Vaillancourt, Jean-François Théroux, Alexandre Bramoullé, Tie-Yuan Zhang, Michael J. Meaney, Carl Ernst, Daniel Côté, Naguib Mechawar, Gustavo Turecki. Association of a History of Child Abuse With Impaired Myelination in the Anterior Cingulate Cortex: Convergent Epigenetic, Transcriptional, and Morphological Evidence. American Journal of Psychiatry, 2017; appi.ajp.2017.1 DOI: 10.1176/appi.ajp.2017.161112.

Child abuse affects brain wiring: Impaired neural connections may explain profound and long-lasting effects of traumatic experiences during childhood. ScienceDaily.

terça-feira, 26 de setembro de 2017

Links para saber mais - desenvolvimento dos Neandertais

Em uma caverna localizada no norte da Espanha foi descoberto, e 1994, a maior coleção de ossos de Neandertais da Península Ibérica. Entre os 13 indivíduos recuperados na caverna, um deles, um menino de sete anos, foi o protagonista de um estudo que avaliou as diferenças e semelhanças no desenvolvimento de Neandertais e humanos modernos.

Através de um esqueleto composto de 138 peças, os pesquisadores conseguiram determinar uma série de características ligadas ao desenvolvimento infantil e outros aspectos. O esqueleto, nomeado El Sidrón J1, tinha 7 anos e sete meses quando morreu, pesava 26 kilos e tinha 111 centímetros de altura. A análise dos caninos e da robustez dos ossos mostrou que o indivíduo era do sexo masculino. Também foi possível identificar que El Sidrón J1 era destro e já desempenhava algumas tarefas de adultos. Ele tinha hipoplasia do esmalte dentário (falha na mineralização do esmalte do dente) causado por má nutrição ou alguma doença. Entre os outros 13 indivíduos do grupo estavam a sua mãe e um irmão mais novo.

Esqueleto recuperado do indivíduo nomeado El Sidrón J1 na caverna de El Sidrón, Espanha. Fonte: artigo original.
Os cientistas viram somente duas diferenças no desenvolvimento infantil de El Sibrón J1 comparado com os humanos modernos: a maturação da coluna vertebral, principalmente das vértebras torácicas, e o total desenvolvimento da caixa craniana e consequentemente do cérebro. O indivíduo analisado estava com aproximadamente 87% da caixa craniana desenvolvida, ao passo que, na mesma idade, humanos modernos já possuem 100% de desenvolvimento. Talvez isso seja consequência do volume cerebral maior em Neandertais (1,520 centímetros cúbicos) comparado com Homo sapiens (1,195 centímetros cúbicos). O menor desenvolvimento das vértebras torácicas pode estar ligado à economia de energia, já que o cérebro “suga” uma grande parte da energia para o seu desenvolvimento. Com um cérebro menor, os humanos atuais podem atingir o desenvolvimento mais rapidamente.

O artigo completo está disponível para download no site da revista Science através desse link.

Referências:
Reconstructing how Neanderthals grew, based on an El Sidrón child: Neanderthal growth rate is very similar to that of Homo sapiens. ScienceDaily.

segunda-feira, 25 de setembro de 2017

Sua dieta não funciona? A resposta pode estar no seu intestino.

No dia mundial de começar a dieta, segunda-feira, eu trago os resultados de uma pesquisa que indica o porquê da perda de peso nem sempre ocorrer da maneira que desejamos e porque isso não é nossa sua culpa. Além disso, esse estudo, a meu ver, abre um precedente para começarmos a prestar mais atenção à individualidade quando queremos fazer uma dieta eficiente, seja para perda de peso, seja para ficarmos mais saudáveis. Isso serve para acabar de vez com aquela crença de que a dieta de revista funciona para todos e se você não perdeu peso mesmo passando fome e se alimentando de folhas por duas semanas a culpa é sua. Acaba com a crença de que se a dieta da musa fitness do Instagram funcionou pra ela, vai funcionar pra você também, é só você se esforçar e nunca mais comer farinha branca ou batata frita na vida!

Então vamos à pesquisa. Os cientistas analisaram a microbiota intestinal (bactérias que povoam nosso intestino) e descobriram que a prevalência de uma ou outra espécie de bactéria indicava se a pessoa perdia mais ou menos peso com as duas dietas testadas.

Vamos fazer um P.S. para as dietas e falar um pouquinho sobre uma delas. Quando eu digo dieta, eu não quero dizer necessariamente dieta de restrição calórica para perda de peso. Dieta são as características alimentares do indivíduo. Uma das dietas testadas foi a “New Nordic Diet” (Nova dieta nórdica). Essa dieta é o resultado de uma reunião de profissionais em alimentação e chefs que aconteceu em 2004 em Copenhagen. O intuito dessa reunião era definir a nova cozinha regional, que, em contraste com os hábitos alimentares tradicionais, seria mais saudável. Basicamente a dieta foca na sustentabilidade e sazonalidade dos alimentos, evitando assim aditivos químicos e minimizando o desperdício. Segundo especialistas, essa dieta é muito parecida com a dieta mediterrânea, com exceção de alguns alimentos que refletem o clima da região, tipo de solo e disponibilidade de água para a produção. Basicamente você come o que sua região é capaz de produzir e, dessa maneira, você se alimenta de acordo com o clima e as atividades aos quais você está exposto. Parece uma coisa lógica, e de fato é, mas não é o que fazemos hoje em dia. Pense no Brasil, por exemplo, que é um país enorme com uma variedade de climas diferentes. A dieta que se segue no sul que é mais frio (pelo menos em alguns períodos do ano) não deveria ser a mesma dieta do norte. Não parece muito saudável aguentar um inverno frio no sul comendo salada e muito menos aguentar o calor do norte ou nordeste se enchendo de carne e feijoada. Dito isso, voltamos à pesquisa.

As duas dietas testadas foram a New Nordic Diet e uma dieta normal dinamarquesa receitada pelos pesquisadores. As características de ambas estão sumarizadas na tabela abaixo.
Dieta

NND

ADD
Fibras

43.3 g/10MJ*

28.6 g/10MJ*
Proteínas

18.1%

16.4% 
Gorduras

30.4%

33.8%  
Carboidratos

46.4%

45.3% 
Tabela comparando as principais características da Nova Dieta Nórdica (NND) e a dieta dinamarquesa regular (ADD). As quantidades de fibras, proteínas e gorduras são estatisticamente diferentes entre as duas dietas. *10MJ = 10 Mega Joules.

Os indivíduos foram divididos em dois grupos: um com alta prevalência da bactéria Prevotella spp. e outro com mais Bacteroides spp. Cada um desses grupos foi dividido novamente, sendo que uma parte recebeu a dieta nórdica e outra a dieta dinamarquesa. Eles aplicaram a dieta aos indivíduos pesquisados por 26 semanas. No final desse período, os resultados indicaram que os indivíduos com alta porcentagem de Prevotella spp. perderam mais que o dobro de gordura corporal em relação aos indivíduos com alta porcentagem de Bacteroides spp. seguindo a Nova Dieta Nórdica. Além disso, a diminuição da circunferência abdominal e a perda de peso também foram significativamente maiores nos indivíduos com alta porcentagem de Prevotella spp. seguindo a Nova Dieta Nórdica. Os pesquisadores ainda continuaram monitorando os indivíduos por um ano durante o qual foi recomendado que todos seguissem a Nova Dieta Nórdica. No final desse período os resultados indicaram que os indivíduos com mais Prevotella spp. mantiveram seu peso, enquanto os indivíduos com mais Bacteroides spp. ganharam, em média, 2, 76Kg.
Os mecanismos envolvidos que possivelmente causaram essa diferença podem ser vários como capacidade de utilização das fibras, sinalização cérebro-intestino (o que causa diferenças no comportamento), secreção de hormônios gastrointestinais que regulam o apetite, entre outros. Em suma, os pesquisadores sugerem a análise da microbiota intestinal como um marcador para determinar a melhor dieta para um indivíduo. Talvez isso ainda demore a se tornar uma rotina, mas enquanto isso fuja de dietas mega restritivas (a menos que você tenha algum problema de saúde), procure aproveitar o que o seu ambiente te oferece e, caso você queira alterar seu peso, ganhar massa muscular, perder gordura, etc, procure um profissional sério e não aceite dietas de gaveta porque ninguém merece passar o resto da vida comendo queijo branco, alface, arroz integral e peito de frango. O segredo é o equilíbrio sem neurose.

Se você quiser saber mais sobre como o nosso corpo determina o que queremos comer, esse é um ótimo texto para começar: Até que ponto somos responsáveis por tudo o que escolhemos comer?

Referências:
M F Hjorth, H M Roager, T M Larsen, S K Poulsen, T R Licht, M I Bahl, Y Zohar, A Astrup. Pre-treatment microbial Prevotella-to-Bacteroides ratio, determines body fat loss success during a 6-month randomized controlled diet intervention. International Journal of Obesity, 2017; DOI: 10.1038/ijo.2017.220.

Your stools reveal whether you can lose weight. ScienceDaily.

The New Nordic Diet.

sexta-feira, 22 de setembro de 2017

Links para saber mais - hábitos alimentares e sua pele

Você faz aquele lanchinho da madrugada? Acorda com fome e assalta a geladeira se deliciando com os restos da pizza do dia anterior? Você já sabe que esse não é um hábito muito saudável, mas o que você provavelmente não sabe é que esses lanchinhos podem causar danos á sua pele.

Um time de cientistas liderado pelo Dr. Joseph S. Takahashi (aquele que descobriu as bases genéticas do ciclo circadiano dos mamíferos) descobriu que hábitos anormais com relação aos horários de alimentação podem ter influencia em como sua pele se defende dos raios ultravioleta. Para comprovar essa afirmação, os cientistas avaliaram dois grupos de ratos – um alimentado somente durante o dia e o outro alimentado somente durante a noite. Os ratos alimentados durante o dia (considere que o rato é um animal de hábitos noturnos) tiveram mais dano à pele quando expostos a raios ultravioleta B (UVB). Esse fenômeno aconteceu porque uma das enzimas responsáveis pelo reparo de dano por raios UV à pele (xeroderma pigmentoso grupo A – XPA) estava menos ativa durante o dia. Para entender melhor, considere que ratos tem hábitos noturnos, ou seja, eles se alimentam a noite. À noite não tem necessidade de grandes quantidades de expressão de enzimas que protejam de raios UVB. Então, de alguma maneira, o corpo relaciona essas duas informações. Com a mudança nos hábitos de alimentação dos ratos, o corpo altera também a expressão das enzimas de proteção da pele. Além da XPA, os cientistas viram que, pelo menos 10% de genes relacionados à pele alteram o ciclo de expressão com a mudança nos horários de alimentação.

Ainda é muito cedo para dizer se esse tipo de fenômeno acontece no ser humano também, mas outros estudos do mesmo grupo relacionam o horário de alimentação com diversas outras questões como perda de peso, por exemplo. Então, não custa nada melhorar os hábitos alimentares desde já.

Referências:
Eating habits affect skin's protection against sun. ScienceDaily.

Hong Wang, Elyse van Spyk, Qiang Liu, Mikhail Geyfman, Michael L. Salmans, Vivek Kumar, Alexander Ihler, Ning Li, Joseph S. Takahashi, Bogi Andersen. Time-Restricted Feeding Shifts the Skin Circadian Clock and Alters UVB-Induced DNA Damage. Cell Reports, 2017; 20 (5): 1061 DOI: 10.1016/j.celrep.2017.07.022

quinta-feira, 21 de setembro de 2017

Links para saber mais - dieta e microbiota

Eu já escrevi alguns textos sobre a importância e influencia que as bactérias que vivem no nosso intestino tem na nossa saúde (Se você não leu, clique aqui e aqui). A análise da flora intestinal tem trazido informações a respeito de diversas doenças e sobre como a nossa relação com essas bactérias influencia no desenvolvimento do nosso cérebro ou no aparecimento de alergias, por exemplo. Mas como mudamos a nossa microbiota e o que podemos fazer para mantê-la saudável? A resposta provável para essas perguntas está na nossa alimentação.

Com isso em mente, cientistas do Centro Médico da Universidade de Stanford resolveram avaliar se (1) a mudança na alimentação, altera realmente a nossa flora intestinal? e (2) como a nossa microbiota está se comportando com a mudança drástica na nossa alimentação nos dias de hoje (com o aumento de produtos industrializados)? Para responder essas perguntas, os pesquisadores avaliaram uma população de caçadores-coletores da Tanzânia chamados Hadza. Os Hadza possuem poucos itens alimentícios e eles variam de acordo com a estação (já que não é possível armazenar e obviamente eles não frequentam supermercados). Basicamente os itens disponíveis são carne, frutas de uma árvore chamada baobá e tubérculos na estação seca e frutas do tipo baga (berries), tubérculos, baobá e mel na estação chuvosa.

http://edition.cnn.com/2017/07/05/health/hunter-gatherer-diet-tanzania-the-conversation/index.html
O que os cientistas viram foi que a microbiota dos Hadza variou sazonalmente, de acordo com o tipo de alimentação. Particularmente, algumas espécies de bactérias diminuíam na estação chuvosa quando o mel era a principal fonte calórica e aumentavam na estação seca quando havia um pico no consumo de tubérculos que são ricos em fibras.

Outro fato interessante é que essas espécies de bactérias que diminuíam substancialmente na estação chuvosa (quando tinha pouco aporte de fibras) são as mesmas espécies encontradas em outras populações de caçadores-coletores em lugares distantes como África e América do Sul e ausentes no intestino da maioria das populações que vivem em grandes cidades. Estamos perdendo esse grupo de bactérias da nossa microbiota intestinal (ou já perdemos)? Qual a importância delas para a nossa saúde? São perguntas que vão ficar para um próximo estudo.

Referências:

Hunter-gatherers' seasonal gut-microbe diversity loss echoes our permanent one. ScienceDaily.

Samuel A. Smits, Jeff Leach, Erica D. Sonnenburg, Carlos G. Gonzalez, Joshua S. Lichtman, Gregor Reid, Rob Knight, Alphaxard Manjurano, John Changalucha, Joshua E. Elias, Maria Gloria Dominguez-Bello, Justin L. Sonnenburg. Seasonal cycling in the gut microbiome of the Hadza hunter-gatherers of Tanzania. Science, Vol. 357, Issue 6353, pp. 802-806 DOI: 10.1126/science.aan4834.